3 comentários:

Anônimo disse...

INQUILINOS DO ROSÁRIO

Sabe que haverá festa,
é sacudida pela tosse
antecipando no peito
o estorvo que a alma
vive na mistura das horas.

Esquenta o chale no batente,
recusa o bolo e o café, diz
que tem gastura e que o
o aluguel não vale o incômodo.

Ter no corpo o trânsito
das escolhas atravessando
um tempo empoçado.

O movimento da cozinha,
a ignorância dos bichos
(que morrerão no terreiro)
o exílio na janela, o infinito
corredor cujas tábuas viram

a vida passar e ora perdem
a discrição, na severidade
do tempo a pé em suas costas,
delatam os passos da espera
que empurram a velha às frestas.

Adriano Menezes

Leonardo Lopes disse...

Muito bom Adriano, obrigado pelo poema..

Leo Lopes

Frederico disse...

Faz-me bem trabalhar com pessoas que espressam artes diferentes e que se encaixam tao bem.
Parabéns Adriano.
Parabéns Leo

Fred